Crise Financeira: enquanto o resto do mundo entra em pânico, Robert Kiyosaki mostra como este pode ser o melhor momento da sua vida financeira.

22/10/2008 por AmigoRico.org

No último dia 15 de outubro, Robert Kiyosaki - autor da Coleção “Pai Rico, Pai Pobre” - ofereceu um seminário gratuito por telefone. A chamada foi:

“Este é o momento para o qual a “Rich Dad Company” (nome da empresa de Kiyosaki) foi criada. Enquanto o resto do mundo entra em pânico, Robert mostra como este pode ser o melhor momento da sua vida financeira”.

Pois bem, às 21h e 30min do Brasil do dia 15 de outubro, ouvi o seminário via Skype. A seguir, relato os principais pontos:

1. A mensagem não muda: é a mesma
2. O melhor investimento é o investimento em Educação Financeira: a escolha é sua
3. Fluxo de Caixa é o caminho (“Cash flow is the way to go”)
4. Aprenda a Vender
5. Imóveis
6. Encontre a sua especialidade

1. A mensagem não muda: é a mesma
Kiyosaki fez questão de mencionar em vários momentos que os conceitos do livro, as idéias do Pai Rico, não mudam com ou sem crise. A mensagem é a mesma e nada mudou para o investidor profissional.


Kim, esposa de Kiyosaki, relatou que os seus primeiros investimentos imobiliários foram em Portland (nos EUA), quando a cidade vivia uma grande depressão. A depressão não a impediu de realizar ótimos negócios, pelo contrário: ela encontrou oportunidades.

2. O melhor investimento é o investimento em Educação Financeira: a escolha é sua
Ouvir as pessoas certas, estudar o que está ocorrendo, pesquisar e analisar tendências são atividades, mais do que nunca, necessárias. Por isso, é o momento de você investir na sua educação financeira.

Durante o seminário Kiyosaki e seus conselheiros comentaram: “O governo (dos EUA) não irá salvar você, os que apresentam as soluções são os mesmos que há alguns meses disseram que o problema era pequeno. Como é possível que eles não tenham percebido a gravidade da situação?!”. O ponto é: tome você as suas medidas.

3. Fluxo de Caixa é o caminho (“Cash flow is the way to go”)
Talvez um dos pontos mais interessantes do seminário é justamente este. Kiyosaki afirma que existem dois tipos de investimento: aqueles que geram fluxo de caixa e aqueles que apostam no ganho de capital. O autor não tem dúvida: os melhores investimentos são aqueles que geram fluxo de caixa.

Olhe um imóvel como um negócio, diz ele, analise os fundamentos do negócio, o fluxo de caixa da propriedade. As pessoas acabaram perdendo noção dos fundamentos e pagaram muito caro.

4. Aprenda a Vender
Alguns minutos do seminário abordaram um conceito já tradicional do “Pai Rico”: desenvolver as habilidades de vendedor. Aprenda a vender ou você está fora, disse o consultor de Kiyosaki especialista em vendas Blair Singer. Esta habilidade é ainda mais necessária em tempos de crise.

5. Imóveis
Kiyosaki disse que está investindo em imóveis. Há muitas oportunidades: as pessoas precisam de caixa e, muitas vezes, acabam vendendo os seus melhores imóveis. Fique atento, no entanto, para a questão do fluxo de caixa.

6. Encontre a sua especialidade
Para concluir, Kiyosaki recomenda: encontre a sua especialidade como investidor, entenda no que você está investindo e aproveite as oportunidades. Repetindo, nada mudou para o investidor profissional.

Caso você queira participar de seminários como este, cadastre-se no site de Robert Kiyosaki RichDad.com (em inglês).

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21 comentários em “Crise Financeira: enquanto o resto do mundo entra em pânico, Robert Kiyosaki mostra como este pode ser o melhor momento da sua vida financeira.”

  1. Marcelo Angulo Says:

    Testando o novo sistema de comentários do AmigoRico.org.

  2. Lucio Alberto de Sousa Says:

    Obrigado por disponibilizar este resumo.Eu gostaria de entender melhor este conceito de fluxo de caixa. Faz algum tempo que li o livro e não entendi exatamente porque é melhor que o investimento que aposta em ganho de capital.

    Abraços

    Lúcio

  3. Arnaldo Aranda Says:

    Concordo plenamente que o investidor torne-se um bom vendedor, pois são as vendas dos ativos que fornecem o fluxo de caixa para novos investimentos, que a atual crise financeira demanda ótimas oportunidades para médio e longo prazos e nesses momentos a educação financeira do investidor colabora para a visualização de excelentes oportunidades.
    Abraços
    Arnaldo Aranda

  4. Elsa Elaine Says:

    Adorei o resumo em questão, mas pq o é melhor aplicar em fluxo de caixa do que ganho de capital.

  5. George Wander Says:

    Sou fá do Kyosaki há muito tempo. Mudei minha vida seguindo seus ensinamentos. A vontade de vencer e a habilidade com finanças fará toda a diferença. Fluxo de caixa e ganho de capital são excepcionais. Na minha opinião não existe qual e o melhor. Cabe apenas uma pergunta: Você se sente melhor com um fluxo de caixa crescente e contínuo ou com bons e constantes lucros obtidos sobre o seu capital?
    Defina o seu perfil. Simples assim.

  6. Roosevelt Says:

    Muito bom o resumo, mas tabém queria enteder mais sobre fluxo de caixa. Eu leio o livro mas parece que algumas coisas não entram na minha cabeça.

  7. Marcelo Angulo Says:

    Obrigado Roosevelt, George, Elsa, Arnaldo e Lucio pelos comentários. Em um próximo texto, pretendo detalhar a diferença entre investir para o ganho de capital e para o fluxo de caixa.

    De todo modo, já adiantando um pouco, é um conceito que está no livro Quem mexeu no meu dinheiro do Robert Kiyosaki. Um curto trecho: “quando alguém diz comprei esta ação (ou este imóvel) porque acredito que se valorizará está investindo para obter ganhos de capital. (…) Quando se investe para gerar caixa, se investe na certeza do retorno do dinheiro”.

    Abraço, Marcelo

  8. Janio Barbosa Says:

    Várias pessoas falam ou perguntam sobre as diferenças entre o “Fluxo de Caixa” e os ganhos de capital. Li vários livros do Kiyosaki e até joguei a “Corrida do Rato” com meus filhos pra praticar o que tinha aprendido.
    Pra mim, “Fluxo de Caixa” de uma maneira bem simplória, é o lucro que você obtém continuamente a partir de um investimento ou negócio. Exemplos: Aluguéis, Dividendos de Ações, Taxas de franquia (Se você tem franqueados que trabalham com sua marca), Royalties (Quando você aluga uma patente). Para um fazendeiro o fluxo de caixa é o lucro que ele obtém pela venda do leite. O grande lance deste tipo de lucro é que você mantém a propriedade do bem que gera o lucro.
    Já os ganhos de capital são aqueles decorrentes da variação de valor de um bem, ou seja, o lucro (ou o prejuízo) só se realiza no momento em que você se desfaz do bem. Exemplos mais comuns são a compra e venda de imóveis, ações, Moedas estrangeiras, contratos futuros, empresas. No exemplo do fazendeiro, o ganho de capital se realiza no momento em que vende o seu rebanho ou a própria fazenda.
    Lembro-me de ter lido uma resposta de Warren Buffet quando perguntado, qual era o melhor momento para vender ações e ele disse: Nunca! É claro que ao responder isso ele estava de olho no fluxo de caixa. Ele diz escolher as ações que compra, não pela expectativa de valorização, que ele diz não ter a menor idéia de quanto será nem se ocorrerá, mas pela expectativa da empresa produzir coisas que serão desejadas pela população, o que garante a sobrevivência e a expansão da empresa e naturalmente a possibilidade de receber elevados dividendos e “filhotes” de suas ações.
    Aprendi também que é possível usar o “Fluxo de Caixa” para se fazer compras de empresas. Assim, quando você for comprar uma empresa, não se preocupe muito em saber quanto vale suas máquinas, edificações, o chamado “Patrimônio”. Baseado em informações reais sobre suas despesas, receitas, tendências do mercado e do seu capital intelectual (pessoas), faça uma estimativa de lucro nos próximos, digamos, 20 anos, e usando ferramentas simples de matemática financeira traga todos esses ganhos futuros para o valor presente. Este é o valor presente da empresa calculado pelo fluxo de caixa.
    Agora você vai dizer: Legal isso, mas como é que vou ter certeza do que vai ocorrer daqui a 20 anos se não sei nem o que irá acontecer amanhã? E eu respondo: Warren Buffet também não sabe, mas ele trabalha com as alternativas que oferecem maior probabilidade de sucesso. Lembre-se que estamos falando de capital de risco. E aqui eu volto a Kiyosaki que costuma dizer: Caderneta de Poupança NÃO É INVESTIMENTO. É só poupança.
    Nada impede que um projeto seu de ganhar dinheiro com o fluxo de caixa possa ser transformado em outro projeto de fluxo de caixa, ou mesmo de ganho de capital, ou vice-versa. Isso se dá quando oportunidades melhores surgem, então você migra, sem saudosismos ou paixões.
    Espero ter ajudado um pouco, embora tenha certeza de que para alguns tudo o que escrevi é óbvio.

  9. Marcelo Angulo Says:

    Janio, o seu comentário é excelente. Agradeço em nome de todos a sua contribuição. Abraço! Marcelo

  10. Edson Silva Says:

    A grande lição a aprender deste resumo é que mais do que nunca o investidor deve ficar atento as oportunidades e decidir se ele deseja ganhar pouco, mas com segurança ou ganhar mais porém com tempo maior e talvez com riscos.

  11. Fred Fraiha Says:

    Tenho 40 anos, trabalhei muito desde os meus 12. Desde o ano passado aluguei e arrendei todos os negócios e imóveis que usava. Vivo de renda. Como empresário meus ganhos eram bem melhores(meu lucro maior hoje é não ter estresse). Como o Pai Rico falaria a mim para aumentar meu fluxo de caixa, uma vez que estou “engessado” por contratos de médio prazo e aplicações não vultosas??. Obrigado angulo.

  12. DOUGLAS PEREIRA FERRO Says:

    Gostei muito dos comentarios de Janio Barbosa, obrigado pela explicação, vou tentar interpretar do meu melhor possivel.
    Um abraço

  13. Marcelo Angulo Says:

    Olá Fred. Obrigado pelo comentário. Pelo o que entendi, você vive de renda, porém ganhava mais quando era empresário. Como você mesmo disse, fez uma opção. Seu desejo atual, no entanto, é o de gerar mais fluxo de caixa; porém seu patrimônio atual não pode ser dinamizado no curto prazo. Provavelmente, um caminho para você é aproveitar o seu tempo livre e criar um novo ativo do zero que lhe traga este ganho de caixa que deseja. Use a sua inteligência financeira.
    Dois textos interessantes para você são:
    - http://www.amigorico.org/blog/2006/07/24/taxa-de-riqueza-do-pai-rico-calcule-a-sua/ e
    - http://www.amigorico.org/blog/2006/07/31/a-regra-numero-um/
    Abraço, Marcelo
    PS: caso algum leitor tenha comentários ao Fred, serão muito bem vindos.

  14. Gutemberg Santos Says:

    Não só muito interessante o resumo, mas também o propósito! a grande troca de conhecimento e a relação embasada nos ensinamentos de Robert! com certeza o aprendizado está sendo de grande valia.

  15. Janio Barbosa Says:

    Prezados,
    Postei semana passada um comentário sobre “Fluxo de Caixa” avaliando que mesmo no mercado de ações é possível usar essa estratégia. Queria acrescentar que além dos dividendos pode-se também alavancar o fluxo de caixa com o aluguel de ações.
    Colei abaixo um texto publicado semana passada na Revista Exame que mostra uma coisa rara, um brasileiro ganhando dinheiro com fluxo de caixa.
    O “Normal” é quem está no mercado de ações querer acertar o topo para fazer suas vendas, ou os vales para a compra. Falar é fácil. Existem tantas ferramentas de Análise Técnica dando sinais contraditórios que você só pode escolher uma no chute. E se ela te der lucro, no dia seguinte ela pode te dar prejuizo porque o que funciona mesmo é a expectativa (ou torcida) do investidor, um tal de “Feeling do Investidor”. Feeling é só uma palavra importada pra dizer “Chute”. Quer uma prova? Toda vez que tem alguém vendendo uma ação, tem alguém comprando, então no exato instante de uma negociação cada um dos investidores está apostando que o mercado vai andar na direção oposta ao do outro. No fundo ninguém sabe de nada. Se você usar uma moeda e tirar cara ou coroa pra saber se compra ou vende o resultado deve ser parecido. Se usar um dado para escolher as ações, também. Quem compra e vende a toda hora, descobre que está na verdade é “apostando” como num jogo qualquer.
    Então é bom ver uma opinião sensata no meio de toda essa loucura. Leia aí, e coloque a sua contribuição ao debate. Um abraço a todos.

    REVISTA EXAME - 05/11/2008

    A encarnação do otimismo

    Por Samantha Lima

    Nas últimas duas décadas, o empresário gaúcho Lírio Parisotto, de 54 anos, construiu o que pode se chamar de uma história de sucesso. Nascido numa família de agricultores, trabalhou como representante comercial até criar a Videolar, em 1988. A empresa, que nasceu produzindo fitas cassete e VHS, hoje fatura 1,4 bilhão de reais e é líder de mercado entre os fabricantes nacionais de CDs e DVDs. Uma década depois da criação de seu negócio, em 1998, Parisotto decidiu entrar no mercado de ações aplicando recursos próprios na bolsa. Em seu melhor momento, chegou a multiplicar por 7 os 200 milhões de reais que investiu no período, transformando-se num dos maiores investidores individuais da Bovespa. Tudo parecia bem até 15 de setembro, quando eclodiu a crise financeira que derrubou os mercados do mundo inteiro. Em pouco mais de um mês, Parisotto perdeu nada menos que 600 milhões de reais, dinheiro suficiente para deixar qualquer ser humano prostrado. Mas ele continua otimista. “Prefiro pensar que não perdi nada porque não vendi nada. As ações vão subir”, disse Parisotto a EXAME em seu escritório, instalado dentro da corretora Geração Futuro, responsável pela carteira. “Mas é claro que eu adoraria ter vendido todas um dia antes da queda.” Parisotto é um fundamentalista da bolsa de valores, aquele tipo de investidor que, depois de convertido ao mercado acionário, simplesmente o transforma numa profissão de fé. Desde que deixou o comando da Videolar, no início do ano, passa a maior parte do tempo no amplo espaço composto de três salas na Geração Futuro. Esse arranjo foi idéia dos donos da corretora, um sinal de deferência pelo tamanho de sua carteira de ações. Mesmo com o tombo dos últimos tempos, o portfólio de Parisotto está hoje em torno de 700 milhões de reais, e é parte de um fundo ainda maior que ele tem, com outros 15 investidores - a quem chama de confrades. Quando está em sua sala na corretora, o que acontece de segunda a sexta, desde de manhã até bem depois que os mercados fecham, Parisotto acompanha as oscilações de seus investimentos em um monitor de 26 polegadas. Ao fim do pregão, o mesmo ritual: um dos operadores lhe entrega um boletim com o saldo do dia. Por enquanto, seu desempenho tem sido melhor do que o da bolsa - seu fundo perdeu 46% no ano, ante os 54% do Ibovespa. Apesar do mais de meio bilhão de reais perdido, o empresário-investidor vem desenvolvendo uma estratégia ainda mais agressiva nestes tempos de crise. A idéia é usar tudo o que for pago em dividendos das empresas da carteira - algo como 100 milhões de reais por ano - para comprar o que estiver na bacia das almas. Para ele, os papéis de Vale, Usiminas e Randon estão “de graça”. “Triste não é a queda da bolsa, é não ter mais dinheiro para investir. Sinto-me como Imelda Marcos numa loja de sapatos”, diz, referindo-se à mulher do ex-ditador das Filipinas Ferdinand Marcos, famosa por sua coleção de 3 000 pares de sapatos. Com quase uma década de bolsa de valores, Parisotto desenvolveu uma cartilha bem própria para definir que papéis comprar e o melhor momento para fazê-lo. Entre suas regras peculiares, está manter distância de IPOs. “Para mim, o que chegou à bolsa é lixo.” Não compra petrobras (”a empresa é muito emperrada”) e também tem horror a cadeias varejistas e companhias aéreas. “Se não estão quebradas, quebrarão um dia”, diz. Antes de sair às compras, estuda a fundo os balanços das empresas e, principalmente, verifica se a companhia é boa pagadora de dividendos - em média, se dá por satisfeito com 40% do lucro. “Queda de preço não me preocupa. O que me deixaria apavorado é queda no lucro.” Isso é o que mais o tem incomodado em relação a algumas empresas de seu portfólio. “Estou perdendo a paciência com a Braskem. Já passou da hora de essa empresa dar mais lucro.” Na defesa de seus interesses, Parisotto chegou a cobrar uma melhora nos resultados diretamente do presidente da companhia, na época José Carlos Grubisich, de quem é vizinho. “Acho que ele passou a mudar de caminho quando me via, porque depois disso não o encontrei nunca mais.” Para ajudar no processo decisório, Parisotto tem ainda um método especial que, segundo ele, é infalível para saber se os executivos de uma companhia são dedicados ou não. “Basta ver se contratam consultorias. Consultoria é coisa de executivo preguiçoso.” Neste momento, a bolsa tem sido um enorme desafio para Parisotto, mas está longe de ser o único. A empresa que deu origem à sua fortuna, a Videolar, também passa por momentos de dificuldade. No ano passado, a receita caiu cerca de 10% e o lucro diminuiu 70%. Os números não são tão trágicos quanto as perdas no mercado de ações, mas foram encarados como um aviso de que a situação requer cuidados. Nunca, em 20 anos de história, a Videolar havia registrado queda de faturamento. Tal resultado é atribuído à concorrência de produtos piratas, principalmente CDs e DVDs gravados, e à invasão de produtos chineses, especialmente de discos para gravação. “Estamos fazendo um esforço imenso para manter em 2008 os números do ano passado, mas não está fácil”, diz Phillip Wojdyslawski, sócio de Parisotto na Videolar e atual presidente da empresa. Parisotto lhe passou o cargo depois de concluir, há dois anos, que se cansou de enfrentar os problemas do setor. Àquela altura, vivia com pressão alta e insônia. “Decidi jogar a toalha em relação à pirataria, porque a sociedade a tolera”, diz o empresário. nullPara alguém tão chegado ao mercado de ações, a hipótese de abrir o capital chegou a passar pela cabeça de Parisotto, mas ele acabou não se animando muito. “Quando ainda presidia a empresa, havia pilhas de propostas de bancos em minha mesa. A Videolar está arrumada, tem balanços auditados, mas eu não abriria o capital de uma empresa que não tenho coragem de oferecer a meu melhor amigo”, diz. Num recurso extremo, Wojdyslawski pediu recentemente salvaguardas ao governo brasileiro em relação aos produtos chineses. Os trâmites do processo demoram um ano e, caso o governo aceite os argumentos da empresa, os importados deverão ser sobretaxados. Com isso, a Videolar ganhará oxigênio extra. “Seremos os últimos a apagar a luz, produziremos até o último cliente, mas sei que esse negócio não tem futuro”, diz Parisotto. Outra tentativa para recuperar a empresa é um investimento de 100 milhões de dólares previsto para 2012: a ampliação de uma petroquímica que é parte do grupo e produz resinas em Manaus. A unidade foi construída em 2002 para, inicialmente, fornecer plástico à Videolar e, eventualmente, vender o excedente a outras indústrias de eletrônicos da Amazônia. O negócio vai bem e, hoje, responde por um terço das receitas e quase todo o lucro da Videolar. “Essa será a nova cara da empresa.” Quem não conhece a trajetória de Parisotto pode estranhar o otimismo com que o empresário enfrenta os desafios. Ele nasceu em Nova Bassano, no interior do Rio Grande do Sul, numa família pobre de agricultores. Sua história de empreendedor é exemplar. Na década de 70, Parisotto vendia toca-fitas para automóveis comprados em São Paulo. Na época, poucos carros que saíam de fábrica tinham o aparelho como item de série e a empreitada foi um sucesso. Em 1980, abriu uma loja de equipamentos eletrônicos em Caxias do Sul. Em 1985, foi convidado pela Sony para participar de uma convenção no Japão e, lá, conheceu o processo de fabricação de fitas de vídeo sob medida para o tamanho do filme e de gravação de filmes - o que evitava desperdícios e, portanto, custos. Mais tarde, em uma viagem a Nova York, conheceu o videocassete. Dois anos depois, com o país em crise, Parisotto vendeu a loja aos sócios e, em 1988, com 2 milhões de dólares em caixa, montou a Videolar, em Caxias do Sul. A empresa, localizada a mais de 1 000 quilômetros do principal mercado consumidor - a cidade de São Paulo -, foi a primeira fábrica brasileira de gravação de conteúdo em fitas fabricadas sob medida para o tempo de reprodução. “Sempre fui um otimista”. As perdas na bolsa Nos últimos 60 dias, Parisotto só saiu duas vezes da frente de seu monitor. Foram duas viagens rápidas ao exterior. Na primeira, foi a Nova York fechar a compra de um apartamento. “Os preços caíram”, diz. Na segunda, foi com quatro amigos à região da Borgonha, na França, visitar produtores do famoso vinho Romanée-Conti, um dos mais caros do mundo e uma de suas paixões. Garante que, em ambas ocasiões, não entrou na internet nenhuma vez para ver os fechamentos do pregão. “Assim como o ministro Guido Mantega, não perdi uma noite de sono com a crise.” Quando reafirma sua postura de tranqüilidade, Parisotto preocupa-se em não parecer, com a atitude, tripudiar sobre as desventuras econômicas alheias. “Sei que as pessoas estão num momento ruim. Mas é preciso trabalhar e olhar o longo prazo, porque as crises têm início e fim.” Nesse sentido, diz que quem o inspira é o mítico investidor americano Warren Buffett, o homem mais rico do mundo. Parisotto está lendo sua recém-publicada biografia, Snow Ball, de Alice Schroeder. Assim que Buffett anunciou que compraria 5% do banco de investimento em crise Goldman Sachs, há um mês, Parisotto decidiu comprar dez ações de sua empresa de participações, a Berkshire Hathaway, por 115 000 dólares cada uma. O objetivo é participar, no próximo ano, da assembléia de acionistas da empresa em Omaha, no remoto estado de Nebraska, apenas pelo prazer de estar lá. “Quem dera ter o discernimento e a serenidade de Buffett”, diz. Com a calma que Parisotto demonstra diante de um tombo de mais de meio bilhão, até que ele não está tão longe de seu objetivo.

  16. Marcelo Angulo Says:

    Janio, novamente, todos agradecemos sua contribuição. Quando você diz que o empresário Lírio Parisotto ganha dinheiro com “fluxo de caixa”. Você se refere à carteira de ações ou ao negócio próprio (Videolar)? Abraço! Marcelo

  17. Fabio Platero Says:

    Robert Kiyosaki têm razão em afirmar que fluxo de caixa é o melhor caminho para investir. Se você quer saber como fazer um milhão de dólares, aqui vai: Existem quatro formas: Sorte. Esforço Paciente. Habilidade. Risco.

    Fabio Platero’s last blog post..O que é empreender?

  18. Jonas Novaes Says:

    Olá Janio e Marcelo. Considerando que a poupança não é “fluxo de caixa” e sim “poupança”, o mesmo ocorre com as aplicações em CDB’s e RDB’s e Fundos de Investimento em Renda Fixa? Porque?

    Na minha cidade o preço dos imóveis comerciais está muito elevado, os alugueis estão rendendo cerca de 0,20% a 0,60% o preço dos imóveis. O CDB’s por outro lado estão rendendo acima de 1,0%. Assim, não seria melhor manter o dinheiro no CDB’s e comprar um imóvel somente se o preço do mesmo baixar?

  19. taturana (pseudônimo) Says:

    Amigos, pelo que entendi: fluxo de caixa é mais importante, na visão de Robert Kyosaki, porque consiste na origem ou fonte dos recursos, para posterior investimento em eventuais oportunidades, para a geração de lucro ou ganho de capital, correto?

  20. taturana (pseudônimo) Says:

    Em tempo: numa empresa, por exemplo, o fluxo de caixa é mais importante do que o lucro. Consideremos que a empresa é um automóvel, o fluxo de caixa a gasolina, e o lucro é o óleo. Para o carro andar, temos que constantemente acompanhar o nível de combustível, mas o óleo é verificado dentro de um prazo maior. O fluxo de caixa é o controle das contas, movimentando a empresa para obter lucro a longo prazo.
    Espero que ter sido claro e útil.

  21. Invista certo, invista no que você tem controle Says:

    [...] de capital dos que geram fluxo de caixa. Para entender melhor, vale a pena ler o texto: “Crise Financeira enquanto o (…)” e principalmente os comentários. O Kiyosaki gosta mais daqueles investimentos em que o [...]

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