Controle das Finanças Pessoais: a pausa para pensar é fundamental
14/11/2008 por AmigoRico.org
Hoje, vou publicar um novo texto da colega CFP Rosário Pujado (CFP é a certificação para planejadores financeiros pessoais, para saber mais, clique aqui). A Rosário também é autora do texto “O perigo quando o investidor se torna torcedor“.
No texto de hoje, Rosário dá dicas práticas para você evitar excessos e controlar as suas finanças pessoais e o seu orçamento doméstico. Aproveite!
Acione o “circuit breaker” nas suas finanças pessoais
Setembro de 2008. Logo após a quebra do Lehman Brothers, a estatização da AIG e a compra da Merril Lynch pelo Bank of America, a Bolsa da Rússia acionou, por duas vezes, o “circuit breaker” – mecanismo que interrompe imediatamente o pregão toda vez que o índice representativo dos preços de um conjunto de ações tenha queda substancial. Este mecanismo é utilizado no mundo todo em momentos de alta volatilidade.
No caso da Bolsa de Valores de São Paulo, o “circuit breaker” é ativado quando o Ibovespa tem queda de 10%, interrompendo por 30 minutos todos os negócios. Foi o que ocorreu ontem. Foi também o que ocorreu em 29 de setembro, quando o Congresso americano votou contra o pacote anti-crise do governo Bush. Reiniciados os negócios após esse prazo, a bolsa chegou a cair mais, encerrando o dia em queda de 9,36%. No começo de outubro, com a crise se agravando no mundo todo, tivemos mais um acionamento do “circuit breaker” na Bovespa (desta vez por duas vezes no mesmo pregão) e novamente na Rússia.
O circuit breaker funciona como uma “pausa para pensar”, visando colocar um freio ao chamado “comportamento de manada”, necessidade que os agentes têm de agir conforme o grupo. Afinal, se todo mundo vende, deve existir uma razão, e, embora você a desconheça, também vende. O efeito manada amplifica as quedas e o pânico se espalha.
Há quem fale em crise emocional. A emoção é o combustível que move o ser humano. A interrupção do pregão reduz o fator emocional e força o investidor a tomar decisões mais conscientes. Ou seja, ante a impossibilidade de continuar agindo irracionalmente – e, conseqüentemente, colocando mais lenha na fogueira -, o investidor se vê obrigado a parar e refletir sobre o próximo passo.
Note-se que o “circuit breaker” somente é acionado em caso de queda nos índices: não existe um mecanismo que pare os negócios quando a euforia é generalizada, embora a irracionalidade também esteja presente. Não se cogita implementar uma pausa para pensar em períodos de “bul market” (mercado de alta). Quando a bolsa sobe, o comportamento de manada é mais do que bem-vindo no mercado. O investidor afasta-se da realidade, sobredimensionando a expectativa de ganhos e desconsiderando os riscos. É só alegria! O “circuit breaker” seria nada mais do que um “desmancha-prazeres” e provavelmente ninguém o consideraria benéfico.
No tocante ao gerenciamento das finanças pessoais e orçamento doméstico, a pausa para pensar é fundamental. Não apenas em tempos de vacas magras, mas principalmente em épocas de fartura. É na euforia que criamos hábitos de consumo que podem nos levar ao sobre-endividamento. Preste atenção a algumas armadilhas do cotidiano:
- “Compre agora e pague em 12 parcelas, a primeira só em 2009″. O prazer de ter o objeto de desejo é imediato, a dor de pagá-lo fica diluída.
- “Compre dois e leve três: um é grátis!” A palavra “grátis” tem um efeito praticamente hipnótico: não precisamos comprar dois, porém, o fato do terceiro ser de graça é decisivo na compra. Afinal, de graça, até injeção na testa, certo?
- “Liquidação total, tudo pela metade do preço só hoje”. Quem seria capaz de deixar passar um negócio da China desses?
Fica difícil resistir à tentação, afinal, você merece! E quando cai em si, percebe o tamanho do estrago: dívida no cartão de crédito, limite do cheque especial tomado, cheques pré-datados a perder de vista. Que tal se cada um acionasse seu próprio “circuit breaker”, ou seja, criasse um mecanismo que nos obrigasse a parar para pensar?
Para uns poderá ser cancelar o limite do cheque especial, para outros, deixar o cartão de crédito em casa ou não carregar cheques. Há algumas semanas, saí com umas amigas para fazer compras na rua José Paulino, em São Paulo, onde as lojas só vendem por atacado. Éramos quatro mulheres em busca de bons negócios. No primeiro quarteirão, demos a clássica olhada em tudo e não compramos nada. No segundo, a euforia tomou conta de nós. Tudo estava muito barato, as lojas cheias de gente aproveitando as inúmeras ofertas. Nós não podíamos ficar de fora não é mesmo?
Felizmente, eu tinha meu “circuit breaker” de bolso. Antes de sair de casa, já tinha decidido que iria pagar minhas compras com dinheiro em espécie e tinha separado uma determinada quantia. Quando o dinheiro acabou, os negócios foram interrompidos. Confesso que, por um momento, cogitei ir até o caixa eletrônico mais próximo para sacar mais dinheiro e continuar a folia. Após respirar fundo, decidi que não valia a pena. Meu “circuit breaker” funcionou..
Rosário Pujado possui a certificação Certified Financial Planner (CFP).
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November 26th, 2008 at 6:00 pm
Menina!! Você escreve muito bem!! E tem muita disciplina financeira também… algo raro nas mulheres… ops… brincadeirinha meninas!! Amigo…amigo…
Obrigado Rosário, você me ajudou a criar meu “circuit breaker”!!
December 2nd, 2008 at 10:51 am
valeu obrigado pela ajuda…
agora vou levar sempre meu circuit break de bolso…
heheheheh….
valeu.
December 2nd, 2008 at 12:45 pm
Rosário, muito bom, menina continue dissertando, com esta liguagem facil, exemplos objetivos e assima de tudo transmitindo conhecimento, para aqueles que buscam.
Abraço!