Consultório Financeiro: Diversificar é bom, mas investidor deve avaliar tolerância ao risco

04/07/2010 por AmigoRico.org

Tenho uma renda mensal de R$ 9 mil e só invisto em poupança. Todo mês, aplico cerca de R$ 3.500 em renda fixa. Entretanto, gostaria de dividir esse investimento em outras carteiras e ainda quero começar este mês a investir em previdência privada. Estou com 35 anos e gostaria de saber quanto poderia destinar à previdência e o que você aconselha na hora de investir meus ganhos, de acordo com o que eu descrevi acima? R.N.

Angela Nunes Assumpção,CFP: Em primeiro lugar, parabéns pela disciplina em direcionar mensalmente parte dos seus rendimentos para a constituição do seu patrimônio. Quanto maior for a sua disciplina, mais satisfatoriamente você atingirá os seus objetivos financeiros ao longo da vida e, quando a “idade madura” chegar com a aposentadoria, maior será a sua tranquilidade para desfrutá-la.

Em relação à sua questão, a ideia de diversificar os investimentos é muito boa. No entanto, antes de realizá-la, é necessário analisar o horizonte de tempo previsto para a utilização dos recursos investidos e a sua tolerância a risco. Uma regra básica: maiores riscos só devem ser assumidos para horizontes de investimento mais longos. Portanto, estabeleça quanto das suas reservas poderá ser utilizado no curto, médio e longo prazo. Isso vai ajudá-lo a definir o quanto de risco você poderá agregar a sua carteira.

Primeiro, considere, sempre, que uma parte dos seus recursos deve ser destinada para reserva de curtíssimo prazo, para os imprevistos. O ideal é que você tenha as despesas mensais dos próximos doze meses reservadas.

Em seguida, analise qual o montante necessário no curto e médio prazo, para fazer frente aos compromissos financeiros já definidos e/ou assumidos. Por exemplo: aquisição da casa própria, MBA no exterior ou compra de um carro.

Se você já assumiu compromissos, não deve alocar esses recursos em ativos de risco, pois poderá ter que se desfazer do investimento num momento de mercado não favorável. Para essas reservas já comprometidas, são recomendados investimentos conservadores: poupança, CDB indexado ao CDI, fundos DI e fundos de renda fixa de menor risco.

O restante dos recursos poderá ser direcionado para a formação das reservas de longo prazo. Por ter 35 anos, você dispõe de um bom tempo para constituir essas reservas, no mínimo 25 anos, para se aposentar aos 60 anos. Para esses recursos de longo prazo, a busca de maior retorno por meio da diversificação em ativos de maior risco (fundos multimercados e ações) é bastante indicada.

Reservar uma parte para a previdência privada também é uma boa opção. Analise com cuidado os custos desses produtos. No caso de fundos, além do objetivo, da política de investimento e dos riscos, verifique, também, o nível das taxas de administração e, se for o caso, das taxas de performance. Em relação à previdência, o primeiro passo é definir o que é mais adequado para você, PGBL ou VGBL. Além disso, verifique as taxas de carregamento (cobrada sobre os aportes) e administração (cobrada pela administração dos recursos depositados). Algumas instituições têm regras para a não cobrança da taxa de carregamento.

Mas, antes de alocar os recursos em aplicações mais arriscadas, busque conhecer melhor a sua própria tolerância a risco. As instituições onde você faz as suas aplicações podem ajudá-lo. Todas as instituições que oferecem fundos de investimento com maior nível de risco solicitam ao investidor que responda a um questionário para que o perfil de risco aceito pelo cliente seja definido. É o chamado API – Análise do Perfil do Investidor (verifique nos sites).

Responda o API com atenção e sinceridade, considerando que assumir riscos depende de: ter horizonte de investimento adequado, conhecer os riscos que correremos e se, para nós, é “confortável” corrê-los. Esse nível de conforto é absolutamente pessoal e intransferível, cada investidor tem o seu.

Angela Nunes Assumpção é Planejadora Financeira Pessoal e possui a Certificação CFP (Certified Financial Planner) concedida pelo Instituto Brasileiro de Certificação de Profissionais Financeiros (IBCPF). E-mail: angela@moneyplan.com.br

As respostas refletem as opiniões do autor, e não do jornal Valor Econômico ou do IBCPF. O jornal e o IBCPF não se responsabilizam pelas informações acima ou por prejuízos de qualquer natureza em decorrência do uso destas informações.

Perguntas devem ser encaminhadas para : consultoriofinanceiro@ibcpf.org.br.

Texto extraído de http://www.ibcpf.org.br/comum/Download.aspx.

Related Articles:

Desde 2002, AmigoRico.org indica as melhores fontes de informação gratuitas para ajudar você a cuidar do seu dinheiro. São mais de 20.000 inscritos em nosso boletim gratuito. Inscreva-se gratuitamente no boletim Amigo Rico e receba artigos, resumos e novidades para o auxiliar na conquista da Independência Financeira

AmigoRico.org recomenda também o livro SuasFinanças.com da Coleção ExpoMoney.

Submarino.com.br

Deixe um comentário