Todos querem ganhar dinheiro, mas primeiro é preciso parar de perder. Percebi que além de aprender a gerenciar o dinheiro através da educação financeira, é necessário que cada um compreenda os reais motivos envolvidos no ato da compra. Constatei na prática que pessoas com pouco ou com muito dinheiro têm em comum o sofrimento e a angústia. Observando tão de perto, que a condição econômica, realmente não determinava o bem estar, ficava intrigada, por que as pessoas associavam tão facilmente dinheiro com felicidade, se quando possuíam uma condição financeira confortável, o sofrimento não era menor.
Não há uma proporção direta, entre o aumento do saldo bancário e a diminuição do sofrimento. Uma das razões são as dívidas. Não apenas dívidas financeiras, mas dívidas afetivas, porque muitas pessoas estão endividadas mesmo quando não possuem contas para pagar. Estão inundadas por culpas, ressentimentos, arrependimentos. Sentem- se devedoras de mais empenho profissional, mais atenção para os filhos, mais beleza, mais bens, mais isso ou aquilo!
Resolvi demonstrar que as dívidas financeiras, em muitos casos, são contraídas por motivações afetivas e não apenas por má gestão financeira. Afinal, o que são dívidas afetivas? São os afetos que interferem nas escolhas financeiras, por exemplo, quando os pais compram um presente para o filho, mesmo sabendo que não seria o momento adequado. Muitos pais se sentem culpados por passar pouco tempo com os filhos e compensam com algum presente, ou seja, eles se sentem endividados com os filhos. A lei da compensação é uma das grandes armadilhas!
Comprar por estar angustiado, triste ou por acreditar que um sapato novo, um celular mais moderno ou um carro mais sofisticado trarão segurança, auto-estima ou felicidade, são exemplos dos afetos que interferem na hora das compras. Gastar mais do que recebe, não ter um planejamento financeiro, utilizar cheque especial, parcelar o cartão de crédito ou fazer diversos financiamentos, são exemplos de má gestão financeira.
Todas essas questões são abordadas no meu livro “As Armadilhas do Consumo” (Coleção Expo Money, Editora Campus-Elsevier). Com linguagem clara e objetiva demonstro que o consumismo pode ser uma armadilha financeira e psicológica. Através do meu trabalho clínico, o estudo psicanalítico e meu interesse em projetos sociais, consegui identificar as causas econômicas e psicológicas do consumo em excesso e do endividamento financeiro.
No livro são apontadas as principais formas de combater o endividamento, inclusive com a indicação prática de serviços oferecidos nessa área. O estudo aprofundado mostra o perfil do endividado, a cultura do endividamento e como construir uma relação saudável com o dinheiro. Mas, sobretudo, traz uma forma de reflexão e para alguns, de mudança efetiva. Para nascer um investidor é necessário que o devedor saia de cena, portanto é fundamental estar atento para As Armadilhas do Consumo e acabar com os endividamentos, sejam financeiros, sejam afetivos!
Por Márcia Tolotti, Psicanalista, Mestre em Letras e Cultura, Especialista em Psicologia Clínica, Especialista em Psicologia Organizacional e do Trabalho e Psicóloga. Além de atender há 15 anos na área clínica, ministra cursos e palestras em empresas, escolas e universidades (www.moddo.com.br).
Texto inicalmente publicado no Money Jornal, Edição número 0 e republicado pelo AmigoRico.org, com autorização. Para conhecer todas as edições do Money Jornal, visite: http://www.expomoney.com.br/moneyjornal/.
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