Consultório Financeiro: Diversificar é bom, mas investidor deve avaliar tolerância ao risco

04/07/2010 por AmigoRico.org

Tenho uma renda mensal de R$ 9 mil e só invisto em poupança. Todo mês, aplico cerca de R$ 3.500 em renda fixa. Entretanto, gostaria de dividir esse investimento em outras carteiras e ainda quero começar este mês a investir em previdência privada. Estou com 35 anos e gostaria de saber quanto poderia destinar à previdência e o que você aconselha na hora de investir meus ganhos, de acordo com o que eu descrevi acima? R.N.

Angela Nunes Assumpção,CFP: Em primeiro lugar, parabéns pela disciplina em direcionar mensalmente parte dos seus rendimentos para a constituição do seu patrimônio. Quanto maior for a sua disciplina, mais satisfatoriamente você atingirá os seus objetivos financeiros ao longo da vida e, quando a “idade madura” chegar com a aposentadoria, maior será a sua tranquilidade para desfrutá-la.

Em relação à sua questão, a ideia de diversificar os investimentos é muito boa. No entanto, antes de realizá-la, é necessário analisar o horizonte de tempo previsto para a utilização dos recursos investidos e a sua tolerância a risco. Uma regra básica: maiores riscos só devem ser assumidos para horizontes de investimento mais longos. Portanto, estabeleça quanto das suas reservas poderá ser utilizado no curto, médio e longo prazo. Isso vai ajudá-lo a definir o quanto de risco você poderá agregar a sua carteira.

Primeiro, considere, Continue lendo »

Consultório financeiro: Fundos com IMA-B têm ganhos, mas oscilam com os juros

21/05/2010 por AmigoRico.org

Aplico em um fundo onde coloquei praticamente toda a minha poupança. A carteira do mesmo é, na sua maior parte, baseado em NTN-B, que é referenciado no IMA-B. Estou acompanhando, com muita preocupação, a evolução extremamente negativa deste índice e já estou perdendo muito do meu capital investido.

Como não tenho noção dos índices que regulam tal aplicação e, portanto, qual a tendência para um futuro próximo, estou na iminência de sacar todo o capital do fundo para aplicá-lo em um CDB-DI. Será que vocês poderiam me auxiliar com informações a respeito de como se atualiza o valor do índice IMA-B e quais são as tendências para o futuro desse indicador a curto e médio prazos? F.J.

Myrian Lund, CFP: O Índice de Mercado Anbima B (IMA-B) considera a rentabilidade média das NTN-B - títulos federais que pagam a variação do IPCA mais juros. Esses papéis são de longo prazo e têm por objetivo garantir um ganho real (acima da inflação). Mas, pelo longo prazo, estão sujeitos a uma maior volatilidade.

Antes de tomar qualquer decisão, alguns pontos devem ser analisados:

a) Solicite uma comparação da rentabilidade do fundo em relação ao “benchmark” IMA-B e verifique se os retornos estão próximos a 100% desse indicador.

b) Os títulos NTN-B rendem IPCA mais juros, o que significa dois fatores de risco: a variação da inflação e a variação da taxa de juros. Por exemplo: um fundo comprou um título rendendo IPCA mais 6% ao ano. Passado um tempo, esses mesmos títulos estão sendo negociados no mercado a IPCA mais 8% ao ano. Se o fundo quiser negociar o título, ninguém vai querer comprá-lo a 6% ao ano se pode encontrar outro semelhante no mercado a 8% ao ano. Continue lendo »

O mito do R$ 1 real por dia em finanças pessoais

12/11/2009 por AmigoRico.org

Desde o controle da inflação, conseqüência da bem sucedida implantação do Plano Real há exatos quinze anos, passou a ser possível prever, com grau de precisão relativamente alto, quanto valeria nosso dinheiro após dias, semanas, meses e, até mesmo, anos. Se até meados de 1994 a ordem era “consuma antes da próxima remarcação de preços”, a inflação sob controle trouxe um novo paradigma.

Nesse sentido, ao invés de decidirem se, ao receber o salário, iriam, por exemplo, ao supermercado logo cedo ou depois do expediente, os consumidores não precisaram mais se preocupar em chegar para as compras antes da remarcação de preços. Porém, será que tomar decisões ficou mais simples com o controle da inflação?

Em princípio, tudo indicava que sim, afinal, poder escolher em qual dia efetuar as compras no supermercado passou a dar aos consumidores maior liberdade. Essa liberdade foi também traduzida pela possibilidade de escolha entre diversos serviços, principalmente financeiros, que passaram a estar à disposição dos consumidores de forma muito mais ampla. Dentre esses serviços, vale citar os maiores prazos para financiamentos imobiliários, a possibilidade de contrair dívidas com parcelas fixas e de investir em instrumentos financeiros que não visassem somente à proteção da inflação em determinado período.

Porém, nem tudo se mostrou tão simples nessa nova realidade. Com a possibilidade de ter acesso a crédito de forma mais simples, alguns consumidores se endividaram em excesso, algo ainda presente nos dias atuais. Na parte de investimentos, tentou-se vender a idéia de se tornar milionário com pouco (ou praticamente nenhum) esforço – para isso, “bastaria” economizar R$ 1 por dia.

Sacando as calculadoras financeiras dos bolsos, muitos tentaram (e ainda tentam) vender essa idéia, chegando até a demonstrar, em alguns casos, que não é milionário somente aquele que não quer – afinal, quem não consegue economizar R$ 1 por dia?

Aplicando-se R$ 10 a cada dez dias (visto que praticamente não existem produtos com aplicações iniciais e adicionais de R$ 1) e considerando-se juros de 6,5% ao ano (próximo ao da caderneta de poupança), teremos mais um felizardo milionário… após 82 anos! E, terceiro, sem considerar a inflação: R$ 1 milhão daqui a 82 anos certamente equivalerá muito menos que a mesma quantia nos dias atuais. Assim, economizar R$ 1 por dia, apesar de parecer algo simples, não é tão viável para objetivos que envolvam quantias muito expressivas.

Para quem busca adquirir o hábito de poupar, sem dúvida se trata de um ótimo começo. Porém, conforme os objetivos passam a envolver quantias maiores, é preciso que haja uma motivação bem clara – o que eu ganharia abrindo mão de algo hoje para ter mais amanhã? E quão distante é esse “amanhã” para valer a pena agüentar ficar sem hoje?

Tendo adquirido o hábito de poupar, passa a ser recomendável traçar alguns objetivos que estejam intimamente relacionados com nossos desejos. Não podemos nos esquecer de que temos que levar em consideração a questão da restrição orçamentária, ou seja, por mais desejos que tenhamos, alguns infelizmente ficarão à margem, pois não haverá dinheiro para viabilizar todos.

Muito importante também é lembrar que temos necessidades básicas a serem priorizadas, tais como alimentação, vestuário, moradia e saúde, sem falar na importância de guardar para a aposentadoria. Com essas informações em mãos, que nada mais são do que a base para um planejamento financeiro pessoal bem elaborado, aí sim é viável pensar em investimentos, não somente nos produtos em que aplicar, mas também nas quantias.

Dessa forma, talvez seja equivocado afirmar que as decisões se tornaram mais simples após o controle da inflação. Com a maior facilidade de acesso ao crédito e o crescimento do setor de serviços observado desde então, o consumidor passou a ter muitos bons motivos para gastar seu dinheiro. Porém, é importante tomar consciência da maior complexidade envolvida nesse processo decisório, principalmente em função das conseqüências desagradáveis que o consumo e o endividamento em excesso podem trazer.

Para investimentos, o processo decisório também se tornou mais complexo, embora alguns tentem reduzi-los a pensamentos simplistas. Devemos então extrair desse mito de economizar R$ 1 por dia que o importante é cultivarmos, sempre que possível, o hábito de poupar, mas não sem antes definirmos um bom motivo para recusarmos consumir hoje, principalmente quando os objetivos passam a envolver quantias maiores.

Caio Fragata Torralvo, CFP®, é consultor financeiro pessoal, professor da FIA, um dos autores do livro Aprenda a administrar o próprio dinheiro e faz da parte da equipe Médico das Finanças.

Crise Financeira Atual e o Seu Bolso

01/12/2008 por AmigoRico.org

Mais um texto da colega CFP Rosário Pujado. O título é “E quanto ao pacote de socorro para a pessoa física?”. O texto aborda armadilhas que a crise financeira atual pode trazer para o seu bolso.

E quanto ao pacote de socorro para a pessoa física?

Temos assistido, nas últimas semanas, à abertura dos cofres públicos de vários países, socorrendo as economias em crise. São bilhões de Dólares e Euros destinados à compra de instituições financeiras e seguradoras, linhas de crédito aos setores produtivos e ao consumo. Tudo para vencer o temido fantasma da recessão, que já assola oficialmente o Japão e a Alemanha.

Aqui no Brasil, temos visto o esforço do Governo em várias frentes: Alterações no compulsório deram fólego a bancos pequenos e médios; novas linhas de crédito foram direcionadas ao setor produtivo, às exportações e ao consumidor final. De acordo com o ministro Mántega, o governo adotará as medidas que forem necessárias para assegurar crescimento da economia de 4% no próximo ano. O Presidente Lula, por sua vez, convoca a população a consumir, visando a continuidade do ciclo de crescimento do país. A época do ano é mais um empurrãozinho: décimo-terceiro salário, compras de Natal, férias das crianças, e assim por diante. Afinal, o Brasil não pode parar, certo?

Não quero ser a “desmancha-prazeres” de plantão. Contudo, acho importante trazer algumas reflexões a tona, especialmente nestes momentos em que a racionalidade fica relegada a um segundo plano e o impulso toma conta do nosso comportamento econômico.

Cuidado com as “cenourinhas” que estão sendo colocadas na nossa frente!

Cenourinha número 1: Não existe crise do crédito no Brasil

Embora o ritmo de crescimento do crédito tenha diminuído, a relação crédito/PIB atingiu o recorde de 40%. O que é preciso lembrar é que, apesar de não existir evidência de crise de crédito no Brasil, o crédito está mais caro. A taxa média vem subindo nos últimos meses, atingindo 43% em outubro (e subindo em novembro). A propósito, quando foi o último reajuste do seu salário? Qual foi o percentual?

Cenourinha número 2: Realize seu sonho. Compre seu imóvel já, mude no Natal e ganhe um carro zero de presente.

Quando a esmola é demais ….. você, que não é santo, tem que desconfiar. Já vimos que o crédito está mais caro. Quando você assume um financiamento de longo prazo, a taxa de juros mais elevada deixa o valor final do imóvel lá nas alturas (mesmo que você tenha comprado o primeiro andar). Seu sonho pode esperar mais seis meses? Provavelmente até lá os altos preços de hoje não se sustentem. Entretanto, fica difícil adiar a gratificação de ter a casa nova já. Temos comportamento de crianças (quero agora!), só que o brinquedo é de adulto. O carro zero de presente merece uma consideração especial. Não é novidade, aliás. Lembro quena década de 90, quando o Fusca foi relançado, tinha ofertas do tipo “Compre uma Quantum e leve um Fusca de presente”. O fato é que o “grátis” tem um apelo irresistível para nós. Costumamos pagar qualquer preço para obtermos alguma coisa grátis.

Cenourinha número 3: Nunca esteve tão barato comprar um carro de luxo!

Taxa de 0,99% ao mês, IPVA 2008 grátis (claro, afinal estamos em dezembro) e IPVA 2009 de presente! Tudo em letra maiúscula no jornal, e ainda com fotos! Você já está se vendo dirigindo o carrão, sentido aquele irresistível cheirinho de carro novo. Não faz mal se você ainda não acabou de pagar as 72 parcelas do teu atual carro popular. E, claro, você também não quer pensar no valor do seguro, nem no consumo maior de combustível. “Eu dou um jeito”, você diz. Será mesmo? Costumamos ser excessivamente otimistas em relação ao que conseguiremos fazer no futuro. Já nos propusemos andar na esteira todos os dias e emagrecer quatro quilos no próximo mês. Conseguimos?

Não se iluda. A taxa do cheque especial e do cartão de crédito continua exorbitante; a gasolina continua cara, apesar da queda no preço do petróleo; o IPVA que você ganha de presente ao comprar o carro zero já está embutido no preço, as tarifas cobradas elevam o custo dos financiamentos anunciados. Suas dívidas não serão perdoadas. Se você fizer uma boa negociação, o máximo que você vai conseguir é alongar prazos e diminuir a taxa de juros (de 10% para 5% ao mês, na melhor das hipóteses). Aliás, a nossa taxa real de juros (descontada a inflação) continua sendo a mais alta do mundo.

Não existe pacote de socorro do Governo para a pessoa física. Não existe mágica que faça suas dívidas sumirem ao estalar os dedos. Existe, sim, um planejamento financeiro adequado e um uso consciente do crédito. Reflita nisso na hora de escrever sua cartinha para o Papai Noel (ou será que ele também não existe?).

Rosario Pujado ministra cursos sobre Planejamento Financeiro e possui a certificação CFP®.

Controle das Finanças Pessoais: a pausa para pensar é fundamental

14/11/2008 por AmigoRico.org

Hoje, vou publicar um novo texto da colega CFP Rosário Pujado (CFP é a certificação para planejadores financeiros pessoais, para saber mais, clique aqui). A Rosário também é autora do texto “O perigo quando o investidor se torna torcedor“.

No texto de hoje, Rosário dá dicas práticas para você evitar excessos e controlar as suas finanças pessoais e o seu orçamento doméstico. Aproveite!

Acione o “circuit breaker” nas suas finanças pessoais

Setembro de 2008. Logo após a quebra do Lehman Brothers, a estatização da AIG e a compra da Merril Lynch pelo Bank of America, a Bolsa da Rússia acionou, por duas vezes, o “circuit breaker” – mecanismo que interrompe imediatamente o pregão toda vez que o índice representativo dos preços de um conjunto de ações tenha queda substancial. Este mecanismo é utilizado no mundo todo em momentos de alta volatilidade. Continue lendo »

Pequeno investidor: erros comuns

07/11/2008 por AmigoRico.org

Buscando ampliar a diversidade de idéias e opiniões divulgadas no blog AmigoRico.org, estou publicando textos de outros profissionais relacionados de alguma maneira com a área de finanças pessoais e independência financeira. É o caso, por exemplo, do artigo de grande sucesso do Eduardo Weber (Ganhar dinheiro: 7 dicas práticas de quem chegou lá).

Hoje, vou publicar o texto de uma colega CFP, Rosário Pujado (CFP é a certificação para planejadores financeiros pessoais, para saber mais, clique aqui).

A Rosário de maneira bem didática e prática traduz contribuições da chamada economia comportamental. Em outras palavras, o texto aborda erros comuns que os investidores cometem ao investir. Aproveitem! E desde já agradeço a Rosário pela contribuição a Comunidade AmigoRico.org. Abaixo o texto:

O perigo quando o investidor se torna torcedor

Fim do Campeonato Brasileiro 2007. Lágrimas nos olhos do torcedor corinthiano: O Timão foi para a “segundona”. Camisetas com legendas de apoio: “Eu nunca vou te abandonar”.

Ano de 2002. Eleição, turbulência política, desconfiança geral e Dólar nas alturas. Investidores em pânico procuram alternativas que acompanhem a disparada da moeda americana. Carlos acaba de tomar uma decisão em relação aos seus investimentos: resgata os recursos aplicados em fundos de Renda Fixa e os aloca em um Fundo Cambial, embora não tenha passivos em moeda estrangeira nem previsão de despesas futuras no exterior. Para ele, está na cara que o Dólar vai continuar subindo.

Até julho de 2008, o fundo Cambial do Carlos apresentava rentabilidade negativa acumulada de60%, isto sem considerar o custo de oportunidade da Renda Fixa. E o Carlos continua firme… torcendo! Isto porque, embora ele não vista uma camisa com a legenda, ele nunca vai abandonar este fundo, pois tem absoluta certeza que o mercado vai virar e ele vai recuperar, com lucro, seu investimento.

Este é um dos tantos exemplos que nos levam a questionar a racionalidade do investidor. Por que não avaliamos devidamente todos os fatos disponíveis antes de tomar decisões em relação ao nosso dinheiro? Por que nos resulta tão difícil realizar prejuízos? Por que permanecemos reféns de uma decisão errada? Continue lendo »