Planejamento Financeiro Familiar: importância
28/11/2008 por AmigoRico.org
Mais um texto de um colega CFP, que gentilmente autorizou a publicação. Trata-se do Eduardo Winston Silva, que aborda um tema essencial: a importância dos objetivos no planejamento financeiro familiar. Aproveitem:
A importância de um planejamento financeiro familiar
Caros leitores, nos últimos anos tenho prestado consultoria a algumas empresas orientando seus funcionários quanto à correta elaboração de um planejamento financeiro familiar. Por um lado, fico extremamente satisfeito ao constatar o aumento do interesse público pelo tema, algo que demonstra o amadurecimento da cultura de planejamento no país. Por outro, me chama a atenção o fato que muitas pessoas não possuem justamente a informação mais relevante para a elaboração de um planejamento financeiro eficaz: objetivos reais, claros e definidos.
Pode parecer estranho, mas muitas pessoas não sabem responder a primeira pergunta que qualquer planejador financeiro faz: “Quais são os seus objetivos a curto, médio e longo prazo?” Por isso, acabam cometendo um erro que é muito comum nos dias atuais. Traçar como objetivo a simples acumulação de riqueza. Algo que, convenhamos, é um tanto sem propósito.
Como consultor financeiro profissional, posso garantir que o dinheiro nada mais é do que uma simples ferramenta para que possamos atingir nossos objetivos. Na academia, aprendemos que o dinheiro possui apenas três funções reais. São elas:
Reserva de valor: O dinheiro é algo que, idealmente, guarda valor ao longo dotempo. Dinheiro não é perecível e não necessita manutenção. Ativos reais, como casas, carros, lanchas, têm seu valor alterado ao longo do tempo por uma série de fatores. O dinheiro não. Entender esta função do dinheiro é muito importante, pois, via de regra, esta função do dinheiro fica comprometida pela inflação. Assim, quem busca manter o dinheiro como reserva de valor deve estar bem atento aos índices de inflação, pois comprometerão significativamente seu resultado ao longo do tempo.
Medida de valor: Esta característica do dinheiro nos permite mensurar o valor relativo dos bens. É por meio do dinheiro que conseguimos determinar, por exemplo, quantas sacas de laranja vale determinada casa, quanto barris de petróleo vale determinada empresa, quantas horas de trabalho vale um almoço. Esta propriedade é muito interessante e é algo que devemos ter em mente quando tomamos nossas decisões de consumo. Ora, se o meu dinheiro foi conseguido com horas de trabalho, se eu pago mais por um determinado bem, em última análise, estou diminuindo o valor do meu trabalho.
Meio de troca: Esta é a função mais óbvia do dinheiro. A era do escambo é algo que ficou para traz. Atualmente é pouco concebível que alguém chegue, por exemplo, com um punhado de sal em uma concessionária para comprar um carro. Naturalmente, o detentor desta quantidade de sal vende o seu produto, ou seja, troca por uma quantidade de dinheiro e pega este dinheiro e vai à concessionária comprar o carro que deseja.
Juntas, estas três funções nos levam a conclusões muito importantes. A primeira é que o dinheiro pode ser trocado por todos os outros bens ou serviços. Logo, seria o motivo pelo qual todos querem dinheiro. Ele nos dá o poder para decidirmos o que queremos consumir. Outra conclusão interessante e complementar é que podemos guardar certa quantidade de dinheiro por um período ao longo do tempo e, então, trocarmos por algo de que nos seja muito valioso em um momento futuro. Agora sim, é só planejarmos como chegaremos lá.
Como vimos, na prática, dinheiro só tem utilidade quando é gasto. Não podemos comer dinheiro, mas podemos trocá-lo por comida. Não podemos vestir dinheiro, mas com ele compramos roupas. Não podemos nos curar com dinheiro, mas com ele compramos medicamentos. Neste sentido, realmente o dinheiro nos dá algum poder.
Existem alguns objetivos reais que são um pouco mais difíceis de mensurar. É natural que queiramos dinheiro para uma emergência, uma necessidade imprevista. Queremos dinheiro para termos uma aposentadoria tranqüila, para deixarmos nossa família resguardada em relação às suas necessidades caso venhamos a faltar ou mesmo para trocar em algo que seja caro em um futuro indeterminado. Embora objetivos como estes se traduzam em manter alguma quantidade de liquidez, absolutamente não estamos falando em ter o dinheiro como objetivo.
Portanto, defina seus objetivos. Para cada um deles, há um produto financeiro e uma estratégia adequada disponível. Somente então um consultor financeiro profissional poderá ajudá-lo. Mas lembre-se, existem realmente coisas que o dinheiro não pode comprar.
Eduardo Winston Silva é gestor independente, ministra treinamentos sobre planejamento financeiro para empresas e possui a certificação Certified Financial Planner (CFP)

