Crise Financeira Atual e o Seu Bolso

01/12/2008 por AmigoRico.org

Mais um texto da colega CFP Rosário Pujado. O título é “E quanto ao pacote de socorro para a pessoa física?”. O texto aborda armadilhas que a crise financeira atual pode trazer para o seu bolso.

E quanto ao pacote de socorro para a pessoa física?

Temos assistido, nas últimas semanas, à abertura dos cofres públicos de vários países, socorrendo as economias em crise. São bilhões de Dólares e Euros destinados à compra de instituições financeiras e seguradoras, linhas de crédito aos setores produtivos e ao consumo. Tudo para vencer o temido fantasma da recessão, que já assola oficialmente o Japão e a Alemanha.

Aqui no Brasil, temos visto o esforço do Governo em várias frentes: Alterações no compulsório deram fólego a bancos pequenos e médios; novas linhas de crédito foram direcionadas ao setor produtivo, às exportações e ao consumidor final. De acordo com o ministro Mántega, o governo adotará as medidas que forem necessárias para assegurar crescimento da economia de 4% no próximo ano. O Presidente Lula, por sua vez, convoca a população a consumir, visando a continuidade do ciclo de crescimento do país. A época do ano é mais um empurrãozinho: décimo-terceiro salário, compras de Natal, férias das crianças, e assim por diante. Afinal, o Brasil não pode parar, certo?

Não quero ser a “desmancha-prazeres” de plantão. Contudo, acho importante trazer algumas reflexões a tona, especialmente nestes momentos em que a racionalidade fica relegada a um segundo plano e o impulso toma conta do nosso comportamento econômico.

Cuidado com as “cenourinhas” que estão sendo colocadas na nossa frente!

Cenourinha número 1: Não existe crise do crédito no Brasil

Embora o ritmo de crescimento do crédito tenha diminuído, a relação crédito/PIB atingiu o recorde de 40%. O que é preciso lembrar é que, apesar de não existir evidência de crise de crédito no Brasil, o crédito está mais caro. A taxa média vem subindo nos últimos meses, atingindo 43% em outubro (e subindo em novembro). A propósito, quando foi o último reajuste do seu salário? Qual foi o percentual?

Cenourinha número 2: Realize seu sonho. Compre seu imóvel já, mude no Natal e ganhe um carro zero de presente.

Quando a esmola é demais ….. você, que não é santo, tem que desconfiar. Já vimos que o crédito está mais caro. Quando você assume um financiamento de longo prazo, a taxa de juros mais elevada deixa o valor final do imóvel lá nas alturas (mesmo que você tenha comprado o primeiro andar). Seu sonho pode esperar mais seis meses? Provavelmente até lá os altos preços de hoje não se sustentem. Entretanto, fica difícil adiar a gratificação de ter a casa nova já. Temos comportamento de crianças (quero agora!), só que o brinquedo é de adulto. O carro zero de presente merece uma consideração especial. Não é novidade, aliás. Lembro quena década de 90, quando o Fusca foi relançado, tinha ofertas do tipo “Compre uma Quantum e leve um Fusca de presente”. O fato é que o “grátis” tem um apelo irresistível para nós. Costumamos pagar qualquer preço para obtermos alguma coisa grátis.

Cenourinha número 3: Nunca esteve tão barato comprar um carro de luxo!

Taxa de 0,99% ao mês, IPVA 2008 grátis (claro, afinal estamos em dezembro) e IPVA 2009 de presente! Tudo em letra maiúscula no jornal, e ainda com fotos! Você já está se vendo dirigindo o carrão, sentido aquele irresistível cheirinho de carro novo. Não faz mal se você ainda não acabou de pagar as 72 parcelas do teu atual carro popular. E, claro, você também não quer pensar no valor do seguro, nem no consumo maior de combustível. “Eu dou um jeito”, você diz. Será mesmo? Costumamos ser excessivamente otimistas em relação ao que conseguiremos fazer no futuro. Já nos propusemos andar na esteira todos os dias e emagrecer quatro quilos no próximo mês. Conseguimos?

Não se iluda. A taxa do cheque especial e do cartão de crédito continua exorbitante; a gasolina continua cara, apesar da queda no preço do petróleo; o IPVA que você ganha de presente ao comprar o carro zero já está embutido no preço, as tarifas cobradas elevam o custo dos financiamentos anunciados. Suas dívidas não serão perdoadas. Se você fizer uma boa negociação, o máximo que você vai conseguir é alongar prazos e diminuir a taxa de juros (de 10% para 5% ao mês, na melhor das hipóteses). Aliás, a nossa taxa real de juros (descontada a inflação) continua sendo a mais alta do mundo.

Não existe pacote de socorro do Governo para a pessoa física. Não existe mágica que faça suas dívidas sumirem ao estalar os dedos. Existe, sim, um planejamento financeiro adequado e um uso consciente do crédito. Reflita nisso na hora de escrever sua cartinha para o Papai Noel (ou será que ele também não existe?).

Rosario Pujado ministra cursos sobre Planejamento Financeiro e possui a certificação CFP®.

Poupança, dívidas e a economia comportamental

27/11/2008 por AmigoRico.org

Hoje público mais um texto da colega CFP Rosário Pujado. De leitura fácil e divertida, Rosário mostra como nem sempre as decisões mais acertadas financeiramente são tomadas. Aproveitem, é um ótimo texto. Para ler outros textos da Rosário Pujado aqui no blog, visitem: http://www.amigorico.org/tag/rosario-pujado/

Poupança, dívidas e a racionalidade do investidor

Macarronada de domingo em família. Seu Fernando, mineiro, de 79 anos, reclama da sua situação financeira. Endividado no crédito consignado até o limite de 30% de sua aposentadoria, tomado no cartão de crédito e no cheque especial, Fernando mal consegue pagar as contas do mês e os medicamentos de uso contínuo dele e de sua esposa, Dona Laura, de 80 anos.

Por incrível que pareça, Fernando tem uma razoável quantidade de recursos aplicada na poupança, segundo ele, sua “reserva para o futuro”, “imexível” como diria o falecido Magri. Tempos atrás, quando o gerente do banco lhe ofereceu crédito consignado, a uma taxa de juros média de 2% ao mês para reformar a casa onde mora, Fernando não teve dúvidas: tomou o dobro do dinheiro de que precisava, reformou a casa e aplicou o resto na poupança!

Happy hour num barzinho da Vila Madalena, em São Paulo. Rita, paulista, 40 anos, comenta que acabou de quitar o financiamento do carro depois de longos 48 meses. Entretanto, não dá para suspirar aliviada. As últimas dez parcelas do carro foram pagas utilizando o limite do cheque especial! Para esquecer os problemas financeiros, Rita tomou uma decisão: vai aproveitar a restituição do imposto de renda e passar férias no Nordeste. Quem sabe na volta, com a cabeça fresca, ela consegue equilibrar o orçamento… Continue lendo »

Controle das Finanças Pessoais: a pausa para pensar é fundamental

14/11/2008 por AmigoRico.org

Hoje, vou publicar um novo texto da colega CFP Rosário Pujado (CFP é a certificação para planejadores financeiros pessoais, para saber mais, clique aqui). A Rosário também é autora do texto “O perigo quando o investidor se torna torcedor“.

No texto de hoje, Rosário dá dicas práticas para você evitar excessos e controlar as suas finanças pessoais e o seu orçamento doméstico. Aproveite!

Acione o “circuit breaker” nas suas finanças pessoais

Setembro de 2008. Logo após a quebra do Lehman Brothers, a estatização da AIG e a compra da Merril Lynch pelo Bank of America, a Bolsa da Rússia acionou, por duas vezes, o “circuit breaker” – mecanismo que interrompe imediatamente o pregão toda vez que o índice representativo dos preços de um conjunto de ações tenha queda substancial. Este mecanismo é utilizado no mundo todo em momentos de alta volatilidade. Continue lendo »

Pequeno investidor: erros comuns

07/11/2008 por AmigoRico.org

Buscando ampliar a diversidade de idéias e opiniões divulgadas no blog AmigoRico.org, estou publicando textos de outros profissionais relacionados de alguma maneira com a área de finanças pessoais e independência financeira. É o caso, por exemplo, do artigo de grande sucesso do Eduardo Weber (Ganhar dinheiro: 7 dicas práticas de quem chegou lá).

Hoje, vou publicar o texto de uma colega CFP, Rosário Pujado (CFP é a certificação para planejadores financeiros pessoais, para saber mais, clique aqui).

A Rosário de maneira bem didática e prática traduz contribuições da chamada economia comportamental. Em outras palavras, o texto aborda erros comuns que os investidores cometem ao investir. Aproveitem! E desde já agradeço a Rosário pela contribuição a Comunidade AmigoRico.org. Abaixo o texto:

O perigo quando o investidor se torna torcedor

Fim do Campeonato Brasileiro 2007. Lágrimas nos olhos do torcedor corinthiano: O Timão foi para a “segundona”. Camisetas com legendas de apoio: “Eu nunca vou te abandonar”.

Ano de 2002. Eleição, turbulência política, desconfiança geral e Dólar nas alturas. Investidores em pânico procuram alternativas que acompanhem a disparada da moeda americana. Carlos acaba de tomar uma decisão em relação aos seus investimentos: resgata os recursos aplicados em fundos de Renda Fixa e os aloca em um Fundo Cambial, embora não tenha passivos em moeda estrangeira nem previsão de despesas futuras no exterior. Para ele, está na cara que o Dólar vai continuar subindo.

Até julho de 2008, o fundo Cambial do Carlos apresentava rentabilidade negativa acumulada de60%, isto sem considerar o custo de oportunidade da Renda Fixa. E o Carlos continua firme… torcendo! Isto porque, embora ele não vista uma camisa com a legenda, ele nunca vai abandonar este fundo, pois tem absoluta certeza que o mercado vai virar e ele vai recuperar, com lucro, seu investimento.

Este é um dos tantos exemplos que nos levam a questionar a racionalidade do investidor. Por que não avaliamos devidamente todos os fatos disponíveis antes de tomar decisões em relação ao nosso dinheiro? Por que nos resulta tão difícil realizar prejuízos? Por que permanecemos reféns de uma decisão errada? Continue lendo »